Falhas do MEC poderiam ser evitadas com polÃtica governamental de computação na nuvem

As dificuldades de acesso ao site do Sistema de Seleção Unificada (SISU), enfrentada por milhares de estudantes nos últimos dias, seria contornada se o Ministério da Educação pudesse contratar capacidade de outros órgãos da Administração Público, com uso ocioso nesse perÃodo de férias. Faltou também planejamento da área de Tecnologia da Informação do MEC. O acesso ao portal segue bastante precário, a maior parte das vezes, não há navegação.
Em função das falhas tecnológicas, o MEC foi obrigado a prorrogar o prazo de inscrição e o ministro, Fernando Haddad, passou por mais um desgaste da sua imagem no governo - o presidente do Instituto Nacional de Estudos de Pesquisas Educacionais (Inep),Joaquim Neto, foi demitido após mais problemas ligados ao ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio).
Do ponto de vista de TI, o SISU é um bom exemplo de erro de planejamento. O site não foi dimensionado para suportar 600 acessos simultâneos - um erro que oferece mais de 83 mil vagas universitárias no paÃs. Uma das falhas foi não ampliar a capacidade de transmissão do portal - no mercado ou, até mesmo, junto ao Serpro, fornecedor de infraestrutura para a Administração Pública.
Essa contratação poderia ser mais efetiva se o Governo Federal adotasse uma polÃtica mais ágil com relação à s inovações tecnológicas. Os serviços de computação na nuvem ainda estão sendo estudados para futura adoção. Em agosto passado, foi criado o Centro de Inovação e Computação em Nuvem, formado pelo Serpro, Dataprev, Telebrás, com suporte do Laboratório Nacional de Computação Cientifica (LNCC).
O objetivo dele é o de delinear as ações do governo na oferta de serviços para a Administração Federal, Estados e municÃpios, especialmente, nas ofertas de governo eletrônico. Mas o processo poderia ser mais ágil no quesito infraestrutura. Há servidores preparados para serem compartilhados, especialmente, no Serpro e na Dataprev.
No inÃcio deste ano, inclusive, conforme o próprio Convergência Digital divulgou, o Serpro dobrou a sua capacidade de transmissão de três para seis milhões de informações simultâneas apenas para atender os dados que circulam no Siscomex - Sistema Integrado de Comércio Exterior. O contrato firmado entre a Receita Federal e o Serpro ficou em torno de R$ 1 bilhão.
Ainda de acordo com reportagem publicada nesta terça-feira, 18/01, pelo jornal O Estado de São Paulo, no site da Receita Federal, o dia com maior tráfego em 2010 contou com 340,6 milhões de acessos, o que resulta numa média de 236.547 por minuto.
Na mesma reportagem, o professor da Unesp, João Paulo Papa, foi taxativo. " Parece que faltou se programar ( referindo-se ao SISU e as falhas do site). Esse tipo de serviço precisa de equipamentos robustos. A questão é que isso custa caro".
Ana Paula Lobo*
*Com informações do Jornal o Estado de São Paulo
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